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Jornal de Notícias
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05 Abr 05
Aborto será imoral mesmo com
referendo
O presidente da
Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, afirmou
ontem que o aborto permanecerá uma imoralidade mesmo se for
legalizado através de um referendo.
"Qualquer lei que permita o aborto cria uma separação entre a
legalidade e a moralidade, pois o aborto voluntariamente procurado,
mesmo que legal, continua a ferir a moralidade natural e as
exigências da consciência", disse D. José Policarpo na abertura da
Assembleia Plenária da CEP, que começou ontem em Fátima.
Rejeitando as críticas de insensibilidade face ao aborto
clandestino, D. José Policarpo reclama que este seja "tipificado
através do estudo já anunciado" no passado. Para a Igreja, o
problema do aborto clandestino não é uma "questão que possa
resolver-se pela cedência e pela tolerância, mas sim pela coragem
partilhada".
D. José Policarpo mostrou-se disponível para o diálogo sobre o
aborto, mas sem pôr em causa a sua posição inicial.
"Creio poder afirmar que, tanto pessoalmente, como o conjunto do
Episcopado, já demos provas suficientes de abertura dialogante", mas
"a nossa firmeza nesta matéria é apenas motivada pela nossa
convicção de que na procriação humana existe uma vida humana desde o
primeiro momento", afirmou.
Interromper essa vida "violentamente é a expressão mais grave do
desrespeito que a vida humana merece e exige de nós", concluiu.
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