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Expresso-
05 Abr 05
A linha
da vida
«Para nós, é necessário que haja uma
linha clara, nítida, que separe a vida da morte.»
A TERRÍVEL batalha jurídica que se
desenrolou nos Estados Unidos, com os tribunais a legislarem sobre o
corte ou não corte do fio que ligava uma mulher à vida, e a luta que
decorre em Portugal a propósito da marcação da data do referendo do
aborto, trouxeram de novo à actualidade o debate sobre a vida
humana.
A questão coloca-se de forma muito
simples: uns defendem que não é legítimo intervir sobre a vida de um
ser humano, desde o momento da concepção até ao momento da morte,
outros consideram que essa intervenção é legítima.
Os primeiros condenam, por exemplo, o
aborto e a eutanásia.
Os segundos aceitam-nos.
O EXPRESSO, não sendo um jornal
confessional, como é sabido, tem-se mantido intransigentemente
contrário à manipulação da vida.
Para nós, é necessário que haja uma
linha clara, nítida, que separe a vida da morte - e que na
transposição dessa linha não exista intervenção de ninguém.
Ora os que defendem a eutanásia e o
aborto estão a admitir que a linha que protege a vida não é nítida,
que o início da vida e o momento da morte são discutíveis, que um
ser com menos de 12 semanas não pode ser considerado um ser humano e
que um homem ainda vivo pode já «merecer» estar morto - sendo
admissível, por isso, o golpe de misericórdia.
ESTA aceitação da ideia de que à volta
da vida não deve haver uma linha inviolável mas uma nebulosa, e que
são legítimas as intervenções nessa zona no sentido de interromper a
vida ou apressar a morte, é um passo terrivelmente perigoso.
Porque, além da eutanásia e do aborto,
abre o campo a outras enormidades como a pena de morte.
Ou a pensamentos ainda mais tenebrosos
como este: se uma pessoa deixou de trabalhar e de ser produtiva, se
se tornou um estorvo para os seus familiares, porquê mantê-la viva?
Se a eutanásia é permitida, por que não
alargar esse conceito aos velhos que só representam encargos para a
sociedade e um peso insuportável para os parentes?
ACEITAR a manipulação da vida é um
risco tremendo.
Aqueles que, por razões ideológicas ou
porque consideram que isso é «moderno», defendem «causas» como a
eutanásia e o aborto, deveriam pensar um pouco mais a fundo até onde
isso nos poderá levar.
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