|
Fórum da
Família - 11 Dez 03
Os segredos de Aveiro
“conection”
Uma das últimas
versões da luta pela liberalização do aborto – porque isto é
preciso pulir o discurso – centra-se em que não há direito haver
mulheres que podem ser presas por praticarem abortos.
É claro que o delírio
ideológico omite a simples constatação de que há vários tipos de
mulheres em jogo: as que sofrem no corpo e no espírito o aborto
– legal ou ilegal – e as que os fazem ou colaboram, tais como
angariadoras, intermediárias de rede, abortadeiras, etc... Para
eles é tudo o mesmo.
Um periódico lisboeta
teve a feliz ideia de trazer à colação quem são as “mulheres”
que se sentam no banco dos réus no Tribunal de Aveiro: um
médico, a sua irmã e empregada, a recepcionista do consultório,
sete mulheres que ali foram submetidas a aborto e mais sete
cúmplices, quase todos maridos e namorados das acusadas. Por
aqui já se vê quem são as “mulheres” que eles querem proteger.
Em resultado do
julgamento da Maia, em 2002, dos 17 arguidos apenas 2 foram
condenados e um deles foi a abortadeira (enfermeira) – por acaso
– cabecilha da organização. É a isto que eles chamam “mulheres”.
Mas os segredos não
ficam por aqui.
O “big boss” da APF
mostrou-se “profundamente preocupado” com a aparente “ofensiva
contra locais onde supostamente se praticam abortos e contra
profissionais de saúde”. E não deixa de explicar porquê: “a
detenção de duas parteiras no fim de Novembro em Oeiras e
detenções ocorridas em Sintra e Lisboa, no Verão passado,
fazem-nos pensar que há uma mudança na actuação da polícia e dos
agentes de justiça que antes eram tolerantes em relação ao
aborto”.
Moral da história: o
que eles lamentam é o fim do privilégio da impunidade.
Pudera! |