Proximamente, vai o povo português ser
chamado a escolher os deputados para o
Parlamento e, consequentemente, o novo
Governo.
Viver
em Democracia exige não só a
participação em actos eleitorais como o
exercício da cidadania activa e
participativa todos os dias por parte
dos cidadãos isolados ou colectivamente
associados. O voto só é verdadeiramente
livre se é assumido com liberdade e
conscientemente exercido. Cabe aos
Partidos políticos promoverem o
esclarecimento dos eleitores sobre os
seus projectos de governação, de modo
claro, honesto e transparente. Só
cidadãos bem (in)formados podem, de
facto, votar com liberdade!
Contudo, aos cidadãos compete,
igualmente, aprofundar a sua
(in)formação. Defender os seus pontos de
vista. Colaborar na “res publica”, na
promoção da Justiça, Liberdade,
Tolerância, na Cultura ou na Economia,
entre outros.
A
acção politica não é exclusiva dos
políticos nem dos Partidos políticos.
Estatutariamente, à Associação Famílias
está vedada a acção política, no sentido
de apoiar ou de se vincular a um
determinado partido político ou grupo de
partidos. Mas faz parte da sua
Identidade a intervenção nas grandes
causas que tenham implicação na
qualidade de vida das famílias ou no
direito à vida. A Família é o fundamento
da sociedade. Nela assenta o futuro da
humanidade. Dela depende o bem-estar,
equilíbrio e harmonia das pessoas
qualquer que seja a sua raça, credo
político ou religioso ou situação
económica. Por isso, ao aproximar-se
novo período eleitoral, queremos
participar no debate político,
procurando introduzir nele as questões
da vida e da Família. Queremos colaborar
na reflexão a que todos os eleitores vão
ser convidados. Queremos, também,
convocá-los a escolher os projectos e
programas políticos que claramente se
apresentam com propostas que,
inequivocamente, defendem o direito à
vida, da concepção à morte natural e os
direitos da Família tal como a nossa
cultura a tem entendido. Estes temas que
consideramos vitais, não são apanágio de
um grupo religioso. Pertencem ao
património da humanidade.
Alguns aspectos merecem a nossa
particular atenção. Vamos indicá-los:
1.
DIREITO À VIDA
Defendemos que a vida humana se inicia
com a fecundação tal como o atesta o
conhecimento científico das Ciências da
Vida e que, a partir desse momento
fundamental da pessoa humana, a vida
que o ovo encerra se irá desenvolver de
forma contínua até que a morte
interrompa esse processo. Por isso,
queremos que a vida humana nascente, na
maturidade ou no ocaso da vida seja
sempre objecto de protecção, como
sujeito de direitos dos quais o direito
à vida é o primeiro e principal.
A
protecção do embrião, do feto, do bebé
acabado de nascer, da criança, do jovem,
do adulto ou do velho impõe-se!
Entendemos que os legisladores devem ter
a preocupação permanente de tudo fazer e
dispor para a dignidade da vida humana
seja sempre respeitada,
independentemente da (in)oportunidade do
seu aparecimento ou das limitações que
possa apresentar.
§
Precisamos de leis mais protectoras e
promotoras da vida humana. Portugal não
pode esquecer que, sobretudo, graças a
uma mentalidade anti-vida que se tem
promovido, estamos com um défice
demográfico tremendo.
§
Precisamos de desenvolver e tornar mais
acessíveis os Serviços de Medicina
Paliativa.
§
Precisamos de, com clareza, atribuir ao
embrião o estatuto de sujeito jurídico.
§
Precisamos de, com urgência, fazer
reconhecer que todo o embrião tem
direito à vida, a uma família e a saber
quem é o seu pai e a sua mãe.
§
Precisamos de mais e melhores apoios
para a protecção da vida humana. Os
Centros de Apoio à Vida e à Família
devem ser prioritários na acção social
do próximo Governo.
2.
BIOÉTICA
No
âmbito da Bioética, preocupam-nos os
embriões não implantados e que,
congelados, muitos têm como futuro o
abandono e a morte. Aterroriza-nos a
ideia da clonagem humana.
Preocupa-nos a manipulação genética que
pode ser invasora e destruidora da
dignidade humana. A liberdade de
investigar não deve colidir com a
liberdade de existir como ser humano,
mesmo em fase precoce do
desenvolvimento. Estas e outras questões
emergentes no âmbito da Biologia Humana
não são questões menores. Gostaríamos –
temos esse direito! – de saber o que
pensam sobre estes temas os candidatos
do Partido ou conjunto de Partidos que
se vão apresentar a sufrágio. Aos
cidadãos assiste o direito à informação
com verdade e transparência.
3.
A FAMÍLIA
A
Família, reconhecida como célula básica
da sociedade pela Declaração Universal
dos Direitos Humanos (Artº 16º) e pela
Constituição Portuguesa deve merecer por
parte do Estado todo o apoio e
protecção. A sua identidade fundacional,
como comunidade de vida e de amor, exige
que os legisladores e decisores
políticos tenham em atenção a
necessidade de protecção da sua
estabilidade, respeito e valorização do
casamento como acto público, livre e
responsável, constitutivo da Família e
que não pode nem deve confundir-se e,
muito menos, equiparar-se a outros tipos
de convivência social.
À
Família deve ser reconhecido o direito e
o dever de ser considerada como a
primeira e mais importante comunidade de
acolhimento à vida e lugar privilegiado
para a maternidade e paternidade.
Atendendo a que a Família é um bem de
cujo equilíbrio funcionante depende o
próprio equilíbrio da sociedade, aquela
deve ser objecto de politicas
verdadeiras e realmente integradas das
diferentes políticas sociais. Por isso,
entende-se que a criação de um
Ministério da Família não deve ser mero
exercício de “marketing” político mas
deve responder ao que dele se espera:
apoiar a Família, como uma comunidade
onde convivem transversal e
verticalmente várias gerações.
O
Estado deve assumir a função de promotor
do bem das famílias. Por isso, devem os
decisores políticos repensar o peso da
fiscalidade que recai sobre as famílias,
sobretudo atendendo às constituídas por
mais elementos, com especial atenção às
que têm filhos deficientes ou idosos a
seu cargo e cujo rendimento per capita
seja condicionante do seu equilíbrio e
causa de injustiça social. Um sinal
positivo deve ser dado às famílias em
que os cônjuges assumem, pelo casamento,
um pacto social de estabilidade.
4.
A ESCOLA
Urge
fazer uma radical e muito corajosa
reforma do sistema de ensino em
Portugal. Não podemos admitir que
Portugal acumule fracassos sobre
fracassos em simultâneo com reformas do
sistema de ensino que não são avaliadas.
O actual sistema de ensino é factor de
exclusão social, promotor da injustiça e
nega a igualdade de oportunidades que
assiste a todas as crianças e jovens.
Também não podemos admitir que em
Portugal continue a ser vedado o direito
ao pluralismo nesta área sensível e
determinante que é o sistema de ensino.
A liberdade de escolha por parte dos
Pais da escola dos filhos é negada
áqueles! Continuamos com um sistema
centralista, napoleónico e,
consequentemente, imposto! Imposto aos
Pais. Castrador para as crianças e
jovens. Perturbador para os docentes
pela instabilidade caótica a que estão
submetidos e pela desautorização a que
têm sido submetidos.
Urge
dignificar e libertar o sistema de
ensino! Entende-se que tal só pode
acontecer se ao necessário sistema
público for associado, em pé de
igualdade, o sistema particular e
cooperativo. Só então chegará a
liberdade efectiva a Portugal no último
domínio que ainda não foi libertado das
amarras do Estado.
5.
TRABALHO PARA A FAMÍLIA
Esta
é outra área que preocupa: há falta de
empregos. Deslocalizações geradoras de
insegurança e injustiça. Exploração de
mão-de-obra (crianças e imigrantes
sobretudo). Às famílias devem ser dadas
condições de, pelo trabalho e justa
remuneração, atingir níveis de dignidade
e de sustentação. Aos decisores
políticos compete criar condições para
que os empregadores possam, de facto,
abrirem-se a projecto inovadores na
conciliação entre o tempo necessário
para o trabalho e o indispensável para a
Família. Famílias em que os seus
elementos estão satisfeitos e realizadas
no trabalho correm menos riscos e são
mais eficazes no meio laboral. A
instabilidade no trabalho, as injustiças
e as prepotências dos empregadores fazem
baixar o rendimento, aumentam a
depressão e outros tipos de doenças e
provocam desequilíbrios psico-sociais e
familiares severos.
No
mundo do trabalho nunca deveria ser
esquecido o principio de que a dignidade
do Homem (homem ou mulher) é o mais
importante e que, na medida em que se
respeita aquele melhor será a qualidade
de vida das suas famílias e,
consequentemente, mais equilibrada será
a sociedade.
CONCLUSÃO
Assim, entendemos como prioritários os
seguintes itens no que concerne à
Família:
§
reconhecimento efectivo da importância
da Família;
§
aplicação do principio da
subsidiariedade nas políticas da
Família, centrando na Família cada
Pessoa Humana;
§
mais
e melhores apoios às Famílias quer de
proximidade (residência ou local de
trabalho) dos centros sociais de apoio
às famílias quer de resposta aos
problemas que se geram nas famílias
(orientação e mediação familiar, por
exemplo);
§
promoção de uma cultura de acolhimento à
vida que promova a inversão do “Inverno
demográfico” em que mergulhamos e
respeite os mais velhos sem o recurso ao
seu internamento em lares;
§
reconhecimento, apoio claro e justo das
diferentes formas de exercer o
associativismo familiar e que tenham
como centralidade da sua acção a
Família;
§
valorização do casamento como fundamento
da estabilidade e da corresponsabilidade
conjugal;
§
promover, imediatamente, a liberdade de
ensino;
§
queremos uma maior dignificação do
trabalho e dos trabalhadores no que
concerne a estabilidade, remunerações e
não discriminação sob qualquer pretexto.
Entendemos que o trabalho serve as
famílias e não o contrário. Por isso
gostaríamos de ver o Domingo liberto de
obrigações laborais e que aquele fosse
destinado às vivências familiares que o
dia-a-dia dificultam.
A
Associação Famílias deseja tomar parte
no debate eleitoral que se avizinha para
escolha do novo parlamento e de um novo
Governo. Não tomará qualquer posição
partidária, porém, queremos ajudar os
eleitores a fazer uma melhor opção e aos
políticos deixar os pontos de vista de
uma instituição da “sociedade civil” que
deseja participar activamente a favor da
Vida e da Família.
Braga.2004.Dezembro.28