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Belmiro Fernandes Pereira - 05 Mar 05

Caro Senhor Director
do Jornal Público

Dirijo-me a si porque ainda creio que discordará da orientação seguida pelo jornal que dirige, situação absurda mas que espero verdadeira.
Depois das fantásticas manchetes dos 11 mil abortos em 2002, depois de assanhadas colunas de opinião d@s voss@s jornalist@s, bem acompanhadas de editoriais, custa dizê-lo mas é verdade, cheios de ódio de Dâmaso e de Manuel Carvalho  não bastavam primeiras páginas consecutivas de propaganda da eutanásia, ainda era preciso vir com aldrabices que nem Duarte Vilar nem a sua filantrópica APF ousariam publicar?
O crédito dos jornalistas andava pelas ruas da amargura, talvez tenha escorregado para as sarjetas, definitivamente.
Mas, é verdade, o que vale isto ao pé de um escandalozinho provocado por um padre inoportuno?



Com os melhores cumprimentos
Belmiro Fernandes Pereira


Com a devida vénia ao blogue: http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/

contas... erradas ou o déficit no DN

É deprimente assistir à decadência
diária do DN. Não são apenas os exercícios onanistas do Luis Delgado, a ida de Vasco Pulido Valente para outras paragens, ou os editoriais rascas do Raúl Vaz. O drama, como se pode constatar na edição de hoje, é mais vasto e profundo, e vai da crise de identidade à incompetência pura e dura. Na capa pode-se ler em letras garrafais, numa versão especial para miopes, que "Um terço das adolescentes já usou pílula do dia seguinte". Curioso, fui ler a notícia. Logo no primeiro parágrafo pode ler-se...

As adolescentes portuguesas chumbam na avaliação das suas práticas contraceptivas. Uma em cada seis jovens entre os 15 e os 19 anos tem uma vida sexual activa sem utilizar qualquer contraceptivo. E, dessas , 33% já recorreram à utilização da pílula do dia seguinte. O alerta é dado por um estudo sobre os hábitos anticoncepcionais das portugusas.

Afinal os tais 33% sê-lo-ão é de 1/6 das jovens (16,67%) o que dará 5% das jovens (5 em cada 100) portuguesa, entre os 15 e os 19 anos... Um detalhe. O que interessa é que tem uma capa à "24". disgusting.



o Público também errou...

Capa do Público
, também em versão especial para invisuais, "Uma em cada três adolescentes já tomou a pílula do dia seguinte". Corpo da notícia...

As jovens portuguesas continuam a correr muitos riscos nas relações sexuais. Um dos maiores estudos sobre as práticas contraceptivas já realizados em Portugal revela que uma em cada seis raparigas entre os 15 e os 19 anos não utiliza qualquer método anticoncepcional
Quase um terço
das adolescentes sexualmente activas já tomaram a pílula do dia seguinte e 16 por cento admitem não utilizar qualquer método contraceptivo, de acordo com os resultados preliminares de um dos maiores estudos epidemiológicos sobre as práticas contraceptivas das mulheres portuguesas até à data realizados no país, numa iniciativa das sociedades portuguesa de ginecologia e de medicina da reprodução.

Isto, a imprecisão, não é uma mera questão de português, não é um preciosismo, é apenas e só o retrato fiel deste país. O de um país onde é chique não se gostar de matemática, onde não é preciso saber fazer contas, há máquinas de calcular, onde se compra tudo feito. Em suma, o retrato de um país, onde pensar é um luxo, e não uma obrigação. Infelizmente parece que hoje também é o retrato do Público.

 

 

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