Caro Senhor Director
do Jornal Público
Dirijo-me a si porque ainda creio que discordará da orientação
seguida pelo jornal que dirige, situação absurda mas que espero
verdadeira.
Depois das fantásticas manchetes dos 11 mil abortos em 2002,
depois de assanhadas colunas de opinião d@s voss@s jornalist@s,
bem acompanhadas de editoriais, custa dizê-lo mas é verdade,
cheios de ódio de Dâmaso e de Manuel Carvalho não bastavam
primeiras páginas consecutivas de propaganda da eutanásia, ainda
era preciso vir com aldrabices que nem Duarte Vilar nem a sua
filantrópica APF ousariam publicar?
O crédito dos jornalistas andava pelas ruas da amargura, talvez
tenha escorregado para as sarjetas, definitivamente.
Mas, é verdade, o que vale isto ao pé de um escandalozinho
provocado por um padre inoportuno?
Com os melhores cumprimentos
Belmiro Fernandes Pereira
Com a devida vénia ao blogue:
http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/
contas...
erradas ou o déficit
no DN
É
deprimente assistir à decadência
diária do
DN. Não são apenas os exercícios onanistas do Luis
Delgado, a ida de Vasco Pulido Valente para
outras paragens, ou os editoriais rascas do
Raúl Vaz. O drama, como se pode constatar na edição
de hoje, é mais vasto e profundo, e vai da crise de
identidade à incompetência pura e dura. Na capa
pode-se ler em letras garrafais, numa versão especial para
miopes, que "Um terço das adolescentes já usou pílula do dia
seguinte". Curioso, fui ler a notícia. Logo no
primeiro
parágrafo
pode ler-se...
As adolescentes
portuguesas chumbam na avaliação das suas práticas
contraceptivas. Uma em cada seis jovens entre os 15 e os 19
anos tem uma vida sexual activa sem utilizar qualquer
contraceptivo. E,
dessas
, 33% já
recorreram à utilização da pílula do dia seguinte. O alerta
é dado por um estudo sobre os hábitos anticoncepcionais das
portugusas.
Afinal
os tais 33% sê-lo-ão é
de 1/6 das jovens (16,67%) o que dará 5% das jovens
(5 em cada 100) portuguesa, entre os 15 e os 19 anos... Um
detalhe. O que interessa é que tem uma capa à "24".
disgusting.
o
Público também errou...
Capa
do Público,
também em versão especial para invisuais, "Uma em cada três
adolescentes já tomou a pílula do dia seguinte".
Corpo
da notícia...
As jovens
portuguesas continuam a correr muitos riscos nas relações
sexuais. Um dos maiores estudos sobre as práticas
contraceptivas já realizados em Portugal revela que uma em cada
seis raparigas entre os 15 e os 19 anos não utiliza qualquer
método anticoncepcional
Quase um terço
das adolescentes
sexualmente activas
já tomaram a pílula do dia seguinte
e 16 por cento admitem não utilizar qualquer método
contraceptivo, de acordo com os resultados preliminares de um
dos maiores estudos epidemiológicos sobre as práticas
contraceptivas das mulheres portuguesas até à data realizados no
país, numa iniciativa das sociedades portuguesa de ginecologia e
de medicina da reprodução.
Isto, a
imprecisão, não é uma mera questão de português, não é um
preciosismo, é apenas e só o retrato fiel deste país.
O de um país onde é chique não se gostar de matemática,
onde não é preciso saber fazer contas, há máquinas de
calcular, onde se compra tudo feito. Em suma,
o retrato de um país, onde pensar é um luxo, e não uma
obrigação. Infelizmente parece que hoje também é o
retrato do Público.