Pensabem.net
- 19 Mar 05
Kirchner exige a saída do Bispo que
enfrentou o Ministro por causa do aborto
O
Presidente Kirchner pediu a renúncia do Bispo das Forças
Armadas, Dom António Juan Baseotto por ter enfrentado com
uma enérgica carta o Ministro de Saúde, e assinou o decreto
que deixa sem efeito o acordo com o qual se tinha designado
o Bispo das Forças Armadas, suspendendo a remuneração mensal
que ele recebia.
O Presidente Néstor Kirchner assinou hoje (18 de
Março) o decreto pelo qual deixou sem efeito o acordo
através do qual se tinha designado Dom Antonio Baseotto
como Bispo das Forças Armadas.
Assim o anunciou o chefe de gabinete, Alberto Fernández,
numa conferência de imprensa que apresentou na Casa Rosada
junto do chanceler Rafael Bielsa, depois de terem ambos uma
reunião com o chefe de Estado e com outros funcionários.
O chefe de Gabinete precisou que «o bispado das Forças
Armadas existe e quando tivermos uma nova proposta da Igreja
e essa proposta tiver o acordo do Executivo, será
designado», o novo bispo castrense.
Fernández acrescentou que «assim como existe a faculdade do
Poder Executivo para aprovar o acordo, existe a faculdade de
o retirar».
O funcionário precisou que se dispôs a suspender a
remuneração mensal de 5 mil pesos que o prelado recebia até
que seja feita a designação de um novo Bispo das Forças
Armadas.
Por sua parte, Bielsa descreveu os passos a seguir após a
derrogação do decreto de designação de Baseotto.
«A Santa Sé terá que fazer uma proposta que o Poder
Executivo deverá avaliar e se a proposta responde às
condições que se estimam indispensáveis para uma tarefa
dessa responsabilidade, far-se-á o acordo».
A decisão foi tomada apesar do Vaticano ter ratificado o
Bispo no seu cargo anteontem, em resposta a um pedido do
Governo para que fosse removido, remetido para a Santa Sé há
20 dias.
Fernández, entretanto, atribuiu a decisão de Kirchner às
declarações de Baseotto que, disse, «converteram-se em
alegorias com conotações muito fortes porque, basicamente as
suas expressões lembraram que se devia fazer algo muito
parecido ao que ocorreu nos anos negros da Argentina quando
se faziam os “voos da morte”».
Baseotto tinha declarado, no meio de uma polémica sobre o
aborto, que ao Ministro da Saúde, Ginés González García,
tinha que «se lhe atar uma pedra ao pescoço e atirá-lo ao
mar».
[tradução realizada por
pensabem.net]
Fonte: DyN, in
http://www.lanacion.com.ar/688515 , 18 de Março de 2005