Paulo Portas fechou hoje
a porta a um eventual entendimento com o PSD
para viabilizar a suspensão da Lei do
Aborto, proposta pelo PCP, lembrando que há
um acordo na coligação PSD/PP e que este
acordo deve ser cumprido.
O presidente do PP, que
falava na Convenção Autárquica do Centro e
Sul do CDS/PP em Setúbal, reagia às
declarações do líder parlamentar do PSD,
Guilherme Silva, que admitiu ponderar a
viabilização do projecto-lei do PCP para
suspender investigações e julgamentos pela
prática de aborto.
"Uma lei ou está certa ou
está errada. Nós consideramos que a lei
portuguesa, que protege o direito à vida
como regra, e que admite três casos muito
específicos em que o aborto não é
penalizado, é uma lei que não só é razoável,
como foi ratificada pelos portugueses em
referendo", disse o líder centrista, que
exortou aqueles que não concordam a lutarem
pela revogação.
"Aqueles que consideram
que a lei está errada devem lutar pela sua
revogação. Suspender leis sem as revogar é
que nunca vi em nenhuma ordem jurídica e não
recomendo que o parlamento o faça. Nessa
matéria há, aliás, acordos dentro da
coligação, e nós obviamente que confiamos
que os acordos serão cumpridos", acrescentou
Paulo Portas.
No discurso de
encerramento da Convenção Autárquica do
Centro e Sul dos centristas, que contou com
as participações de Nuno Magalhães,
Anacoreta Correia e Lobo Xavier, o líder do
PP reconheceu a legitimidade das críticas à
complexidade da pergunta do referendo sobre
o Tratado Constitucional da União Europeia,
remetendo a responsabilidade para as
restrições impostas pela Constituição
Portuguesa.
"Se perguntas deste teor
são feitas quando era muito mais simples
fazer uma pergunta - concorda com a
aprovação do Tratado da União Europeia? - é
porque a Constituição não deixa fazer outra
pergunta", justificou Portas.
"E tempo de dizer que uma
constituição serve o País, não é o País que
é servo da constituição", acrescentou.
Relativamente às próximas
eleições autárquicas, o dirigente centrista
apelou a um reforço das candidaturas do PP
às Juntas de Freguesia e ao entendimento
interno sobre candidaturas.
"Por amor de Deus, as
concelhias que se entendam com as
distritais", pediu Paulo Portas.