|
Diário de Notícias -
22 Nov 04
Paulo Portas recusa suspensão da lei do
aborto
i.
d. b. *
Está
instalado o mal-estar na coligação... por
causa do aborto. Paulo Portas deixou ontem
claro que o CDS/PP não concorda com a
suspensão da Lei do Aborto, assumindo assim
a divergência com o PSD, que admitiu
ponderar aquela
possíbilidade proposta pelo PCP.
O líder do CDS/PP, que falava na Convenção
Autárquica do Centro e Sul, em Setúbal,
lembrou ao seu parceiro de Governo que
existe um acordo de coligação e voltou a
insurgir-se contra quaisquer mexidas no
actual quadro que regula a interrupção
voluntária da gravidez (IVG).
Isto depois de o líder parlamentar do PSD,
Guilherme Silva, ter admitido viabilizar o
projecto dos comunistas que propõe a
suspensão das investigações e julgamentos
pela prática de aborto até que a lei possa
ser alterada. Guilherme Silva argumentou que
o diploma do PCP não altera a legislação em
vigor, pelo que não colide com os
compromissos assumidos com o CDS/PP.
Portas não gostou da abertura do PSD e
reagiu: «Aqueles que consideram que a lei
está errada devem lutar pela sua revogação.
Suspender leis sem as revogar é que nunca vi
em nenhuma ordem jurídica e não recomendo
que o Parlamento o faça», avisou o ministro
de Estado e da Defesa.
O líder do CDS/PP aproveitou a ocasião para
deixar um aviso ao seu parceiro de Governo:
«Nesta matéria, há, aliás, acordos dentro da
coligação [para não mexer na lei nesta
legislatura] e nós, obviamente, que
confiamos que os acordos serão cumpridos».
Portas voltou a defender o direito à vida e
a actual Lei do Aborto, que classificou de
«razoável».
Já na sexta-feira à noite, o líder
parlamentar dos
democratas-cristãos, Nuno Melo, tinha
garantido que a sua bancada não votaria ao
lado do PCP, assegurando que o CDS
«manter-se-á firme na defesa do direito à
vida».
As divergências entre PSD e PP em matéria de
aborto são recorrentes. Em Dezembro de 2003,
o então porta-voz do PSD Pedro Duarte
manifestou abertura para a descriminalização
da interrupção voluntária da gravidez, uma
posição prontamente contestada pelos
populares.
* Com Lusa
|