Histórias de crianças para alertar adultos
JOÃO PEDRO OLIVEIRA
Porque
há em Portugal 16 500 casos identificados de crianças em risco,
é hoje lançado em Lisboa Histórias Verdadeiras dos Meninos da
Ajuda de Berço. Um pequeno livro feito de cinco relatos de
vidas que passaram pelo colo de quem os escreve, com a chancela
da Bertrand e que pretende gerar receitas para financiar a
actividade de quem, há seis anos, se dedica a acolher e apoiar
os filhos que outros pais não quiseram ou não souberam cuidar.
O lançamento realiza-se esta tarde junto à
loja da Bertrand do Chiado, em Lisboa, e o valor das vendas, que
decorrem já desde sexta-feira, reverte integralmente para a
Ajuda de Berço. Contas feitas, esta primeira edição de três mil
exemplares poderá render 15 mil euros à causa, mas Sara
Anastácio, presidente da associação, espera que a aceitação do
público permita conseguir mais tiragens. «Porque é importante
que todos percebam que há crianças que não têm um dia-a-dia
igual ao dos seus filhos».
Ana Monteiro, psicóloga da Ajuda de Berço
que assina estes textos, «escritos há já alguns anos sem
qualquer intenção de publicar», explica que as «histórias, de
facto verdadeiras, foram redigidas «ainda sem o distanciamento»
que estes seis anos de trabalho já permitem alcançar. As
palavras «foram escolhidas a pensar em adultos», ainda que as
ilustrações, assinadas por Andrea Benollet, «jovem talento que
colabora com a Ajuda de Berço e teve a generosidade de oferecer
o seu trabalho», possam deixar a suspeita de que se trata de um
livro para crianças. Esse, explica Ana Monteiro, «é outro
desafio bastante interessante», que poderá bem seguir-se a esta
edição: «contar às crianças histórias de outras crianças que não
tiveram a sua sorte». E porque não? «Acho que vai depender
apenas da aceitação que este livro possa ter».
A associação Ajuda
de Berço «vive exclusivamente de donativos e da boa vontade de
quem lá trabalha, e todos os anos é necessário realizar algum
tipo de campanha de angariação de fundos». Campanhas que,
explica Sara Anastácio, «procuram sempre ter algo de formativo e
de informativo». Dito de outro modo, «assegurar a continuidade
do trabalho» e, ao mesmo tempo, lembrar que «estes não são
argumentos de filmes que vemos de tempos a tempos», antes são
«histórias reais, feitas de protagonistas reais que as vivem
todos os dias».