Folha
do Domingo -
11
Out
10
Modelos alternativos de educação
sexual foram apresentados no Algarve
Samuel Mendonça
A Federação Portuguesa pela Vida (FPV),
em colaboração com a Plataforma Algarve
pela Vida, promoveu no passado sábado,
dia 9 de Outubro, um encontro para
apresentação de modelos alternativos de
educação sexual.
A iniciativa, destinada a professores e
outros educadores como pais e
encarregados de educação, teve lugar no
Centro Novas Oportunidades, em
Albufeira, e contou com a presença de
cerca de 30 participantes.
Isilda Pegado começou por lembrar que
“existe um direito a educar os filhos
segundo o que está consagrado na lei”. A
presidente da FPV considerou que “o pior
que aconteceu a este pais foi, durante
anos, ter sido dada a educação sexual
nas escolas por uma entidade cujo
conteúdo não se conhecia e tudo se
passava num certo segredo”.
Vasco Mina, da FPV, fez o enquadramento
da situação legal, explicando que a
educação sexual é obrigatória, mas “não
é uma disciplina”. Integra-se no âmbito
da “educação para a saúde e os conteúdos
são ministrados em áreas curriculares
não disciplinares (educação cívica) e
completados nas áreas curriculares
disciplinares”, com “tempo não inferior
a seis horas no 1º e 2º ciclo e não
inferior a 12 horas no secundário”,
explicou, acrescentando que “cada escola
designará um professor coordenador para
a saúde e educação sexual”. Este
professor coordenará uma equipa
interdisciplinar de professores.
A lei prevê o parecer da associação de
pais e Vasco Mina explica mesmo que
“todo o projecto tem de ter o
envolvimento dos pais”, competindo assim
a todos os intervenientes da comunidade
escolar “escolher qual a abordagem a
fazer à educação sexual”. “O que
acontece actualmente é que só existe uma
abordagem que é a proposta pela APF –
Associação para o Planeamento da
Família”, lamentou, sublinhando que “a
educação sexual é da responsabilidade de
todos e não apenas de alguns”. “É
importante que todos os que fazem parte
da comunidade educativa exijam
informação”, apelou.
A tarde continuou com a apresentação de
dois projectos alternativos de educação
sexual reconhecidos pela FPV. O primeiro
a ser apresentado foi o ‘DIP3-
Desenvolvimento Integral da Pessoa’, um
projecto que se enquadra totalmente no
quadro legislativo, desenvolvido pela
Casa do Professor com a professora
Teresa Tomé Ribeiro, com 10 anos de
experimentação nas escolas e destinado a
professores.
O segundo foi o ‘Protege o teu coração’,
proposto pela Associação Família e
Sociedade, que não
tem uma vertente exclusivamente escolar
porque valoriza muito a participação dos
pais como os principais protagonistas da
educação sexual dos filhos.
A FPV advertiu que, para além destes
dois projectos, existem muitos outros e
que em breve irá disponibilizar
informação sobre mais 5/6 modelos
alternativos.
Houve ainda tempo para dar a conhecer a
Plataforma Resistência Nacional (PRN)
que reclama o direito dos pais a educar
os seus filhos segundo as suas
convicções religiosas, políticas e
filosóficas, conforme previsto na
Constituição da República.
Segundo a organização “é falso que
Portugal tenha a maior taxa de gravidez
adolescente”. “Há mais de uma dezena de
países que têm taxa maior”, salientaram,
acrescentando que também “não está
demonstrado que a educação sexual seja
impeditiva ao contágio das doenças
sexualmente transmissíveis”. “Continua
por provar que exista um modelo que
diminua as doenças sexualmente
transmissíveis”, afirmaram, explicando
que a PRN “alerta para estes mitos
acerca da educação sexual”.