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Esta
semana o Centro de Investigação Innocenti, da
unicef, divulgou um relatório sobre os
maus tratos infantis nos países industrializados.
Em todo o mundo, apenas sete países têm legislação específica para combater
os maus tratos infantis. Suécia, Alemanha,
Noruega, Islândia, Áustria, Dinamarca e Finlândia são os únicos que proíbem
explicitamente nas suas legislações o uso de qualquer forma de força física
como forma de punir uma criança.
A Suécia é pioneira neste
domínio, tendo em 1979 introduzido normas que banem toda e qualquer forma de
violência contra a criança, inclusivamente, por parte dos pais. A decisão
foi recebida com cepticismo um pouco por todo o mundo, embora os suecos a
entendessem como o passo seguinte numa lógica que já vinha crescendo há
várias décadas no seio da sociedade
sueca.
Acompanhando a alteração legislativa, as autoridades lançaram uma série de
campanhas de informação e educação dirigidas à população. Por exemplo, o
panfleto «Consegue educar uma criança com sucesso sem espancar e bater?»,
enviado a todos os suecos com filhos pequenos e traduzido nas línguas de
todas as comunidades imigrantes. Na altura, uma série de questões se
levantaram: será que a próxima geração vai crescer indisciplinada e adoptar
comportamentos anti-sociais?
A
resposta, obtida 25 anos depois, através de um estudo realizado em 1999 pelo
«UK Save the
Children Fund», era
bastante positiva. Percebeu-se que os castigos físicos dirigidos a crianças
tinham diminuído, cerca de 50 por cento em 1980 e para menos de 10 por cento
em 2000. Também a sociedade mudou a sua opinião em relação às vantagens do
uso de força física contra as crianças. O relatório indica que, na geração
anterior, cerca de 55 por cento dos indivíduos eram favoráveis a este
recurso, sendo que actualmente a percentagem não vai além dos 10 por cento.
Por outro
lado, aumentou o número de denúncias de maus tratos
contra crianças e, no que toca aos agora adolescentes que foram educados
depois de introduzida a proibição do uso de força física como castigo, os
índices de consumo de drogas e álcool são significativamente mais baixos. Um
outro índice baixou, o da criminalidade, verificando-se uma quebra de cerca
de 20 por cento entre 1975 e 1996. |