O direito ao aborto vai ser consideravelmente reduzido
na Rússia, anunciou o ministro da Saúde num comunicado publicado e citado
ontem pela agência Itar-Tass. As possibilidades de recurso à interrupção
voluntária da gravidez reconhecidas na lei irão passar de 13 para quatro.
A partir de agora a decisão de abortar para além das 12
semanas de gravidez sem razão médica apenas será possível nas seguintes
circunstâncias: decisão de justiça sobre os direitos de parentesco da mãe,
em casos de violação, de invalidez ou morte do pai e em caso de prisão da
mulher grávida.
Desemprego, falta de habitação, divórcio, família
numerosa, existência de uma criança deficiente na família ou rendimentos
inferiores ao limiar de pobreza já não serão motivos suficientes para
recorrer ao aborto. O ministro anunciou, ontem, que o Governo irá tomar,
por decreto, as medidas necessárias para enquadrar estas restrições.
Até agora, a legislação russa sobre o aborto era das
mais liberais do mundo, permitindo às mulheres interromper a gravidez até
às 22 semanas de gestação, ou em qualquer altura no caso de problemas
graves de saúde.