Pastorinhos 

 

Retomamos as palavras recentes a um jornal nacional de Luciano Guerra, ex-reitor do Santuário de Fátima.

"Eu penso numa visão de fé que talvez Nossa Senhora queira agora iniciar um diálogo precisamente com os muçulmanos que, numa grande, grande segunda leva estão a vir para a Europa porque têm gente e a Europa já não é capaz de ter filhos"

"Nossa Senhora como mãe de Jesus, mãe daquele grande profeta que para eles é um grande profeta, Maria tem um lugar muito importante na Sagrada Escritura e para eles é importante", declarou Luciano Guerra

O antigo reitor do Santuário de Fátima Luciano Guerra prevê que o templo vai continuar a ser um espaço de multidões regulares e persistentes e considerou que os muçulmanos "sentirão de um modo especial o apelo" deste lugar.

"Eu penso que sim e, se calhar, com gente que até vem de outra religião e que se sente aqui bem. (...) . Penso que os muçulmanos sentirão de modo especial o apelo deste lugar", afirmou à agência Lusa Luciano Guerra, após ser questionado se Fátima manterá no futuro a vocação das multidões.

Segundo o antigo responsável do santuário, que durante 35 anos dirigiu o maior templo mariano do país, "eles vão peregrinar aqui" por causa do nome de Fátima, o nome da filha de Maomé, mas também por outras razões.

"Maria, Nossa Senhora como mãe de Jesus, mãe daquele grande profeta que para eles é um grande profeta, Maria tem um lugar muito importante na Sagrada Escritura e para eles é importante. Portanto, há aqui este elo de ligação que é muito forte", declarou.

Luciano Guerra salientou, ainda, a importância de Fátima para a Igreja Católica e as visitas papais.

"Para o nosso século passado - e eu creio que ainda para o futuro, pelo menos o futuro próximo - este é, realmente, um grande lugar da Igreja e, sendo um lugar da Igreja, é importante que os papas, de quando em quando, manifestem isso mesmo, até como ação de graças para a Igreja", afirmou Luciano Guerra.

O antigo reitor considerou igualmente que Fátima "não se vai esgotar" com o primeiro centenário das "aparições".

"É que há aqui uma convicção de base, que é uma convicção de fé", destacou, referindo que houve uma "força que sempre se manifestou aqui, através de um fenómeno que é único no mundo".

Para Luciano Guerra, "este fenómeno das multidões de Fátima é único no mundo pela persistência, pela regularidade, pela repetição e pela qualidade espiritual", além de que "há aqui um motor divino e, por isso, é a esse motor que compete saber quanto tempo acha que vai ser bom continuar a trabalhar aqui".

"É evidente que um acontecimento destes não é como a Igreja Católica que tem uma garantia, digamos divina, de persistir até ao fim do mundo. Este acontecimento é marcado por um certo tempo, um certo espaço", acrescentou, admitindo que um século volvido se mantêm questões como "Porque é que foi aqui, porque é que não noutro sítio? Porque é que Nossa Senhora quis aparecer num lugar que não tem um nome de santo e tem o nome da filha de Maomé que, aparentemente, foi um grande adversário do cristianismo?".

Luciano Guerra respondeu que "só Deus é que pode saber", mas tinha São Mamede ou Santa Catarina da Serra, localidades próximas de Fátima.

E insistiu: "Porque é que quis aparecer em 'casa' de uma muçulmana?", para acrescentar: "Eu penso numa visão de fé que talvez Nossa Senhora queira agora iniciar um diálogo precisamente com os muçulmanos que, numa grande, grande segunda leva estão a vir para a Europa porque têm gente e a Europa já não é capaz de ter filhos", acrescentou.

Sobre a atualidade da mensagem de Fátima, Luciano Guerra respondeu que "Fátima está realmente sempre apta enquanto Deus quiser a realizar, com uma força especial, essa missão de salvação e de paz".

"A paz foi muito falada aqui e de paz nós precisamos bem, porque as nuvens que se acumulam no horizonte mundial não são nuvens de grande alegria", acrescentou.

http://www.dn.pt/sociedade/interior/papa-antigo-reitor-admite-que-muculmanos-sentirao-o-apelo-de-fatima