sem nome

Que democracia é esta que nos impõe, desde há anos, um descabido desrespeito pela vida humana, com a elevação, e consagração legal, de um ato tão grave como o aborto, à categoria de direito inalienável e símbolo da libertação da mulher?

Que democracia é esta que aceita a manipulação genética de embriões, que promove as barrigas de aluguer, a procriação medicamente assistida, a mudança de sexo ad-hoc e um sem-fim de atentados à sexualidade natural?

Que democracia é esta que defende, promove, enaltece, oficializa o “casamento homossexual”, que advoga o divórcio simplex, e que, simultaneamente, ataca, despreza, desvaloriza, a família natural como se fosse uma mera instituição arcaica e inútil?

Que democracia é esta que promove e planeia, para a população mais idosa, para doentes, deficientes e incapacitados, o caminho irreversível da eutanásia?

Muitos de nós avisámos, mil vezes, que o caminho a seguir não podia ser este, porque não se constrói uma sociedade digna e próspera sem princípios, sem valores, com base na mentira.

Avisámos, mil vezes, que não se pode tratar de forma ligeira e leviana o valor sagrado da vida humana, qualquer que seja o seu estádio de desenvolvimento.

Avisámos, mil vezes, que a promoção do facilitismo, e do hedonismo, prejudicaria gravemente os nossos jovens, em especial os oriundos de famílias com menos poder económico, mais vulneráveis.

Avisámos, mil vezes, que a destruição da família, a banalização e instigação ao divórcio, faria vítimas entre os mais fracos, os mais frágeis, aqueles que têm menos recursos e que nada têm a ganhar com a desvalorização da instituição familiar, que os protege.

Avisámos, mil vezes, que a economia, sustentáculo da própria democracia, não iria suportar uma crise demográfica.

 

Esta democracia, e os seus dirigentes, os seus canais de comunicação e propaganda, nunca nos quis ouvir.

Esta democracia desvalorizou os nossos avisos, muitas vezes riu-se de nós, com sobranceria.

Esta democracia, em cada vitória legislativa, eleitoral ou referendária, contra os nossos princípios genuinamente humanistas, conservadores, rotulados por ela de retrógrados, arcaicos, ultrapassados, sempre deu, a cada votação, o assunto, por encerrado e sempre impediu qualquer reabertura da discussão.

Esta democracia ostracizou-nos, estigmatizou-nos, empurrou-nos para um gueto, e afastou do poder os defensores ativos dos nossos princípios.

Nenhum partido verdadeiramente nos defendeu.

Nenhum teve a coragem de assumir abertamente os nossos valores e lutar por eles a sério.

 

Esta democracia é a mesma que gerou, ao fim de décadas, um défice de natalidade insustentável e um envelhecimento nunca visto da população.

Esta democracia é aquela que nos carregou de dívidas, seja a do sistema de pensões, seja o deficit do sistema nacional de saúde, seja o deficit público global decorrente do desemprego e do fraco crescimento económico.

Esta democracia é a mesma que vendeu, ou deixou vender, os melhores ativos, infraestruturas, grandes empresas, parcelas do território, sistema financeiro, a decisores distantes, de forma a adiar por mais uns anos a inevitável quebra de rendimento e de nível de vida dos seus eleitores.

Esta democracia foi derrotada e desacreditada por si própria.

 

Editorial

Abril 2018