Trfico humano 1

Prostituição na imprensa, um problema, e um negócio, que persiste, perante o silêncio cúmplice de todos.

Alguns jornais portugueses continuam a exibir, nas suas edições impressas, diariamente, com toda a displicência, dezenas de anúncios de prostituição. Como qualquer vulgar cidadão sabe jornais de grande tiragem nacionais e regionais em Portugal apresentam permanentemente páginas de classificados relativos a compra e venda de carros usados, imóveis e, igualmente, prostituição. De realçar que não se trata de mensagens subliminares ou implícitas, trata-se de anúncios com texto claro, contactos disponíveis e, pasme-se (ou não, alguém se surpreende, já?), fotografias do produto a adquirir, nádegas, seios… Nada disto é novo - aliás só falta mesmo alguém dizer “o rei vai nu!” – tudo se passa à vista de toda a gente desde há anos, e está disponível nas bancas de jornais de todo o país, todos os dias da semana. O que é surpreendente, se pensarmos um pouco, é que não há qualquer partido político, não há qualquer deputado, qualquer associação de defesa das mulheres, qualquer comentador televisivo, qualquer jornalista sequer, que se atreva a dizer que isto é exploração sexual, escravatura, tráfico de seres humanos, aviltamento da condição humana, atentado à moral e bons costumes, atentado à decência e dignidade das pessoas, do público, dos leitores. É isto liberdade de imprensa?