Z Brett Kavanaugh

Com a eleição de Trump em 2016, chegou à Vice-Presidência dos EUA um dos maiores protagonistas da luta contra o aborto, a nível político, nos EUA, Mike Pence. Uma semana depois da tomada de posse de Trump e Pence, em 27 de janeiro de 2017, pela primeira vez um número 2 da Casa Branca dirigia-se à marcha anual nacional pela vida de Washington e discursava perante centenas de milhares de manifestantes, ativistas, anti-aborto vindos de todos os Estados dos EUA para a March for Life. Nas palavras de Mike Pence, “Life is winning again in America”. Três meses depois, em abril de 2017, tomava posse Neil Gorsusch como juiz do Supremo Tribunal dos EUA, instância composta por 9 juizes e na qual se decidiu em 1973 a liberalização do aborto nos EUA, e pela qual terá de passar um dia a sua eventual ilegalização. Tendo o Supremo Tribunal mantido durante décadas uma postura enviesada a favor do status-quo abortista, e não tendo sido nunca mais colocada em causa a sentença de 73 - aliás toda ela construída em torno de factos falsos e declarações falsas, tal como o reconheceu a peticionária a favor do aborto, à época, posteriormente convertida em opositora do aborto - será uma pré-condição à revogação do aborto livre nos EUA a progressiva recomposição do Tribunal com juízes pró-vida como foi o caso, o ano passado, com Neil Gorsusch e, em 6 de outubro 2018, com Brett Kavanaugh. Brett Kavanaugh é manifestamente um oponente do “abortismo” nos EUA e a sua escolha, eleição e nomeação para o Tribunal, em princípio, vem desempatar o cômputo de posições dos juízes, vitalícios, sobre a matéria e vem desequilibrar os pratos da balança entre os 2 campos, desta feita contra o aborto. Se em 2020 nas próximas presidenciais for reeleita esta, ou outra, Administração com uma agenda pró-vida como a atual, ou mais pronunciada ainda, e se o Supremo se for afirmando cada vez mais como uma instância defensora da vida, caminhar-se-á muito provavelmente para a revogação da sentença “Roe versus Wade“ de 1973.