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O “Pacto Cristão” internacional sugerido pelo gabinete de Bolsonaro: o realinhamento da política externa do Brasil está em curso e sinal disso é a vontade do novo presidente brasileiro de aprofundar ligações com líderes populistas em diversas partes do mundo. Com a Rússia ortodoxa de Putin, com a América evangélica de Trump, com a Itália de Salvini e Di Maio, a Hungria católica de Viktor Órban, a Polónia... É um novo conjunto de alianças com forças e países em ascensão na cena mundial, habitualmente vilipendiados, como o Brasil de Bolsonaro, pelos grandes meios de comunicação social e ainda assim, com forte apoio popular.

Bolsonaro quer o “Brasil acima de tudo… Deus acima de todos!” tal como Trump quer a “America first” e Putin quer uma Rússia poderosa, muito poderosa... Serão as agendas compatíveis? Será esta nova abordagem bem sucedida? No caso do Brasil, o recurso explícito à religião, a invocação de Deus e da inspiração divina, a promoção de pastores evangélicos no próprio elenco governamental, cria uma base e uma fundamentação ideológica do regime, de cariz religioso, que choca e escandaliza a casta bem-pensante ocidental, em Paris, Londres, Nova Iorque… Poderá, eventualmente, ser a base de uma política de “saneamento cultural” e de promoção de novos padrões morais e sociais que representem um regresso às raízes culturais do povo brasileiro e um corte com um passado de derivas fraturantes.

E. do S.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/12/futuro-chanceler-propos-a-bolsonaro-pacto-cristao-com-eua-e-russia.shtml

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/chanceler-propos-a-bolsonaro-pacto-cristao-com-eua-e-russia/

Chanceler propôs a Bolsonaro “pacto cristão” com EUA e Rússia

Publicado em 16 dezembro, 2018 1:34 pm

Reportagem de Thais Bilenky na Folha de S.Paulo informa que um artigo reservado do diplomata Ernesto Araújo com proposições de política externa tais como a “contestação ao eixo globalista China-Europa-esquerda americana” selou seu ingresso na equipe ministerial do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O texto, obtido pela reportagem, que Araújo fez chegar ao núcleo da campanha em setembro, foi o primeiro passo para sua posterior nomeação como chanceler do futuro governo.

De acordo com a publicação, intitulado “Por uma política externa do povo brasileiro”, o artigo, de cinco páginas, é propositivo, uma espécie de carta de intenções. Nele, o diplomata revisa o pacifismo nacional (“não estamos no mundo para ser Miss Simpatia”) e sugere um realinhamento internacional do Brasil com o eixo de direita populista em ascensão. “É o caso dos Estados Unidos com Donald Trump, da Itália com seu atual governo, de alguns países da Europa do Leste como Polônia e Hungria. É o caso talvez de alguns países não ocidentais que desejam defender suas próprias civilizações e suas nações frente ao globalismo dominante”, escreve.

Em sua interpretação, “há países que resistem à demonização do sentimento nacional, ao esmagamento da fé (principalmente da cristã), que rejeitam o esvaziamento da alma humana e sua substituição por dogmas anêmicos que servem apenas aos interesses de dominação mundial de certas elites”. Sem entrar em detalhes, o futuro chanceler faz uma proposição inusitada no campo da geopolítica, que causou estranhamento entre interlocutores de Bolsonaro. Para Araújo, conviria ao governo “explorar a possibilidade de um núcleo composto pelos três maiores países cristãos, Brasil-EUA-Rússia”, completa a Folha.