No século XIX
descobriu-se que a partir da concepção tínhamos um novo ser humano e que, por
isso, o aborto consistia em matar deliberadamente um ser humano inocente.
Interessa, pois, saber se desde então foi feita alguma descoberta científica que
anulasse ou questionasse as descobertas desse século.
Os livros a
seguir citados são usados em cerca de 80% das Faculdades de Medicina dos Estados
Unidos da América e em muitos outros países do mundo. Os sublinhados foram
acrescentados ao texto.
- "Zigoto. Esta célula
resulta da fertilização de um oócito por um espermatozóide e é o início
de um ser humano... Cada um de nós iniciou a sua vida como uma
célula chamada zigoto." (K. L Moore. The Developing Human: Clinically
Oriented Embryology (2nd Ed., 1977), Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)
- "Da união de duas dessas
células [espermatozóide e oócito] resulta o zigoto e inicia-se a vida de
um novo indivíduo. Cada um dos animais superiores começou a sua vida
como uma única célula." (Bradley M. Palten, M. D., Foundations of Embryology
(3rd Edition, 1968), New York City: McGraw-Hill.)
- "A formação, maturação e
encontro de uma célula sexual feminina com uma masculina, são tudo
preliminares da sua união numa única célula chamada zigoto e que
definitivamente marca o início de um novo indivíduo". (Leslie Arey,
Developmental Anatomy (7th Edition, 1974). Philadelphia: W. B. Saunders
Publishers)
- "O zigoto é a célula
inicial de um novo indivíduo." (Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in
Biology. Cambridge: Massachusetts Institule of Technology (MIT) Press)
- "Sempre que um
espermatozóide e um oócito se unem, cria-se um novo ser que está vivo e
assim continuará a menos que alguma condição específica o faça morrer:" (E.
L. Potter, M. D., and J. M. Craig, M. D Palhology of lhe Fetus and lhe
lnfant, 3rd Edition. Chicago: Year Book MedicaI Publishers, 1975.)
- "O zigoto (...)
representa o início de uma nova vida." (Greenhill and Freidman's,
Biological Principies and Modem Practice of Obstetrics)
Como já se
disse o valor científico destas afirmações é inquestionável, pois constam dos
livros adoptados pela maioria das Faculdades de Medicina dos EUA.
Em 1971 o
Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos cientistas, entre
os mais prestigiados especialistas americanos, que elaborassem um relatório
sobre o desenvolvimento embrionário. Esse documento diz o seguinte:
- "Desde a concepção a
criança (1) é um organismo complexo, dinâmico e em rápido crescimento.
Na sequência de um processo natural e contínuo o zigoto irá, em
aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos triliões de células do
bebé recém-nascido. O fim natural do espermatozóide e do óvulo é a morte, a
menos que a fertilização ocorra. No momento da fertilização um novo e
único ser é criado, o qual, embora recebendo metade dos seus cromossomas
de cada um dos progenitores, é completamente diferente deles". (Amicus
Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians,
Professors and Fellows of the American College of Obstetrics and Gyneco1ogy,
Supreme Court of the United States, October Term, 1971, No. 70-18, Roe v.
Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)
Em 1981 o
Senado dos EUA estudou a chamada Human Life Bill. Para o efeito ouviu durante
oito dias os maiores especialistas do mundo na questão (americanos e não só). Ao
todo foram feitos cinquenta e sete depoimentos. No final, o relatório oficial
dizia o seguinte:
- "Médicos, biólogos e
outros cientistas concordam em que a concepção marca o início da vida de
um ser humano - um ser que está vivo e que é membro da nossa espécie. Há
uma esmagadora concordância sobre este ponto num sem-número de publicações
de ciência médica e biológica." (Report. Subcommittee on Separation ofPowers
to Senate Judiciary Committee 5-158. 97th Congress. 1st Session 1981. p. 7.)
Sublinhados nossos.
Conclusão
1. A partir do
momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo. A
expressão "ser vivo", aparece nesta frase com o mesmo valor e significado com
que aparece na frase "A Rainha de Inglaterra, do ponto de vista biológico, é um
ser vivo".
2. Este ser
vivo está individualizado.
3. Este ser
vivo pertence a uma espécie definida: a espécie à qual pertencem todos os seres
humanos. Portanto,
4. A partir do
momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo,
individualizado e humano. Estas palavras têm todas exactamente o mesmo valor e
significado com que aparecem na afirmação "A Rainha de Inglaterra, do ponto de
vista biológico, é um ser vivo, individualizado e humano".
Está
completamente fora de dúvidas que o aborto mata um ser humano. Aos defensores do
aborto resta explicar como se pode defender a morte arbitrária de seres humanos
inocentes.
(1) No
original: "From conception the child (...)". Muitas pessoas pretendem que o
aborto não mata um bebé: o que mata é um feto. É curioso notar que duzentos
especialistas americanos elaboraram um texto onde começam por se referir à
"criança" e não ao feto ou ao zigoto. Também no livro de Baruch Brody, Abortion
and the Sanatity of Human Life, MIT Press, 1975, ele afirma que enquanto não
conseguir distinguir feto de criança rejeitará a palavra feticídio usando
indistintamente a palavra homicídio.
(João Araújo,
Aborto Sim ou Não?)